Os Jardins Garcia d' Orta, criados por ocasião da Exposição Mundial de Lisboa em 1998, recordam uma das figuras portuguesas mais proeminentes do século XVI, responsável por um notável trabalho científico de investigação botânica (e a sua aplicação médica) em grande parte desenvolvido na Índia.

Tendo a Expo o tema dos Oceanos procurou-se, na conceção deste jardim, integrar um conjunto de plantas representativas dos ecossistemas com que os portugueses, pela primeira vez, tomaram contacto na época dos Descobrimentos. Contando com cerca de 500 árvores e 420 espécies de plantas, os jardins estão organizados em cinco talhões no troço norte do passeio ribeirinho, cada um representando um ou mais ambientes temáticos.

Primeiro encontramos a floresta temperada presente em Macau e na Ilha de Coloane. A frescura é a nota dominante deste talhão onde se encontram diospiros, cameleiras japonesas e fetos. O segundo talhão alberga uma réplica da vegetação de Goa, que alia a frescura da água ao perfume dos citrinos. Caracteriza-se por uma densa cobertura arbustiva, estando as árvores (ficus,erythrinas, palmeiras) concentradas nos extremos.

O talhão seguinte recria a floresta tropical densa e húmida, de S. Tomé e Príncipe. Cortado por três planos de água, inclui árvores como a bananeira, palmeiras, duas estrelícias gigantes e jacarandás. A vegetação característica da Macaronésia (onde se incluem a Madeira os Açores e Cabo Verde) foi associada a um único talhão – o quarto. A flora dos Açores e Madeira marca a entrada Sul através de uma orla de Laurissilvae; uma simulação de barranco separa este tema, da vegetação típica de Cabo Verde, marcada por odores florais de tabaco e de café, que apelam ao sentido olfativo do visitante. O último jardim apresenta a floresta aberta do Costa Oriental de África, a Savana Alta e a Estepe Desértica do sul do continente, numa sucessão de gradientes que vão da vegetação ainda densa, para a arbustiva e desta para a de tipo desértico. Predominam aqui os tons amarelos e verde-secos e no final os terra, avermelhados e cinza.

Obras de requalificação

A riqueza e complexidade deste jardim encontra paralelo nas ações de manutenção e nos custos associados.O espaço confronta-se com novas realidades e alguns problemas estruturais:

Na última década o espaço foi deixado ao abandono. Algumas intervenções superficiais apenas escamotearam a situação de degradação profunda que atingiu, inclusive,  a sobrevivência de algumas espécies.

Neste momento os Jardins Garcia d' Orta integram o espaço público da freguesia do Parque das Nações, com uma utilização em nada comparável ao uso restrito do período da EXPO' 98, quando o espaço era considerado um pavilhão a céu aberto, vigiado 24 horas.

Algumas das espécies, vindas de regiões com características climáticas diversas das existentes em Lisboa, têm manifestado dificuldades de adaptação. A sua manutenção requer cuidados fitosanitários e o uso intensivo de água, além de frequentes ações de limpeza e manutenção.

A requalificação do espaço está a ser planeada com o atelier de arquitetos paisagistas que o concebeu, no sentido de manter a essência dos Jardins e ao mesmo tempo aplicar os princípios de sustentabilidade ambiental e económica exigíveis numa sociedade responsável.

As obras vão ser realizadas por talhões no sentido sul/norte. A primeira intervenção inicia-se no talhão do Oriente no final de 2015.

Os Jardins Garcia d 'Orta estão localizados na Frente Ribeirinha Norte do Parque das Nações.